Quarta-feira, Abril 1

Matou o preconceito e comeu pão com mortadela

Quem acompanha esse banheiro sabe: já comentei algumas vezes que passei parte da minha adolescência no Garage. Lá vivi históricas únicas. Quer dizer: sempre achei isso, mas hoje sei de muita gente, que também viveu situações irreverentes lá tanto quanto eu. Por isso, pegando o embalo da reportagem que fiz para um site (http://riounderground.com.br/materia_principal.asp?id=32) sobre o retorno do Garage, resolvi conta aqui o que faltou espaço para escrever lá.

Tinha 14 anos e já freqüentava o reduto mais quente da cidade. Não pelos seus espaços de luzes de boate piscando em movimento frenético, música de batidas rebolativas, bebida servida após uma eternidade de quando se pedia - ainda quente -, petiscos caros e pequenos, cantadas de três palavras ou sílabas e muita pegação.

Ao contrário, o quente da cidade era o espaço mais alternativo. Um lugar sujo, escuro e sem muito glamour: a Rua Ceará. Local freqüentado pela turma do Clube de Motoqueiros Balaios, que gostavam de luzes fracas, conversas olho no olho, papo cabeça com devaneios sobre música, bebida gelada, um podrão decente daqueles
gostosos e na proporção suficiente para mata a fome notívaga ou ainda, uma porção generosa de batata-frita - bem ao estilo do Heavy Dutty, ou seja, com um grito: a batata-frita ta pronta porraaaa!

Sem falar que um cara para chegar numa guria fazia esforço mental. Inclusive, na maioria das vezes um beijo vinha depois de um tesão verborrágico entre ambas as partes, se tornando mais ardente do que às vezes uma boa trepada - isso constatei depois de deixar de ser virgem. Ah, e claro, essa turma respirava mais do que tudo graxa, motor, couro e rock dos bons com o som no talo.
Fui apresentada ao local por um cliente do meu pai, que era dono de um bar na praça da bandeira. Ele tinha uma picape preta com uma pantera negra pintada na lateral, que simplesmente me fascinava. Vestido de couro, o coroa chamava minha atenção muito mais que os moleques da rua ou da escola. Mas ao contrario do que pode parecer meu interesse por ele nunca foi sexual e vice-versa, ou seja, essa narrativa não é sobre a menininha que é comida pelo coroa descolado de plantão. Com 14 anos nem pensava em sexo. De verdade meus hormônios ainda estavam bem controlados.

Contudo, ele foi o responsável por trazer o que meus hormônios procuravam há muito tempo por outra perspectiva. Ele me deu aventura e me salvou. Tinha uma sede louca de aventura por lugares, gente, conversas, conteúdos, música e, principalmente por rock. Por isso, um dia aproveitando minha amizade com o filho dele meu salvador convidou minha mãe para uma festa à tarde.

Um churrasco na Rua ceará, no numero 104, num bar ao lado do Clube De Moto chamado Heavy Dutty. Bom, ele não pegou minha mãe. Uma pena! Aliais, as mães nunca namoram os caras que realmente a gente adoraria que elas ficassem. Mas enfim...Estava salva e passados alguns dias ganhei um violão preto com uma pantera negra pintada - que nunca aprendi tocar.

Dois anos depois tinha 16 anos, muitos churrascos dos Balaios na bagagem e uma intimidade com o local, mas faltava à experiência que mais queria: ser freqüentadora daquele lugar à noite, numa sexta-feira com rock com som no talo, embebido pela escuridão e sem aquele clima de reunião de família. Na real, o que queria era entrar nas festas de rock, do Garage, que tanto me contavam.

Até que, do nada, esse (meu) dia chegou. Ganhei passe livre para viver a aventura que aguardava há dois anos. Era noite de Ratos de Porão e mais um monte de bandas. No final, a coca-cola e a batata-frita do Heavy Dutty era um alento. Sim, coca-cola, porque só bebia vinho na época. Meia lata de cerveja me deixava tontinha.

No outro fim-de-semana sufoquei com fumaça, mas foda-se era o Planet Hemp no palco. Canabis nunca foi minha praia. Só o cheiro arde meu nariz e me faz enjoar. Mas quem é que estava ali só para isso? Acreditem ninguém. O Garage sempre representou mais do que um fumodromo, quem queria só se embebedar e fumar se dirigia para escadaria da Lapa, num tempo em que a Lapa era a 'Lapa alternativa' e um verdadeiro deserto aos sábado, mas um grande paraíso às sextas com palco e banda de rock em frente à escadaria.

Quem freqüentava o Garage o fazia em bandos, gente jovem que trocava LPs e CDs de bandas como Sex Pistols, Rolling Stones, Black Sabat, Metálica, Tape on Negative, etc. Muito Punk, Hard e Metal. Depois descansava na calçada com uma garrafa de vinho barato, Martini ou Contini e Gim ou se alimentava com a batata-frita 'com porra do Heavy Dutty' e, se fosse sexta-feira, ao som de rock e blues tocado ao vivo no meio da rua.

E foi num dia desses, descansando depois de um Garage que nem entrei, já que o papo com turma estava tão inebriante - interrompê-lo seria um crime -, que um patrulha da Polícia Militar passou por mim e meus amigos na Rua Ceará. Depois de cinco minutos o carro da PM fez um novo passeio em direção à saída da rua. Mais uns dois minutos o carro fez uma manobra já quase na Avenida Radial Oeste e voltou de novo.

A esta altura todos os grupos sentados no Heavy Dutty estavam de pulga atrás da orelha. Mas agiam naturalmente, já que a PM sempre fazia algumas rodas por ali. Acontece, que de repente o carro parou do lado esquerdo da rua e ficou olhando na nossa direção. Eu conversava e não dei muita importância, mas a galera que estava portando cigarros de maconha logo se ligou na situação exclamando um “Fudeu” tenso.

Foi à deixa para eu pensar “ué, fudeu o quê?
Daí fiquei branca, porque do lado de dentro da patrulhinha tinha uma mão, que me apontava e fazia sinal para que eu chegasse perto do carro. Numa hora dessas, você olha para todas as direções rezando para que esteja errada. Afinal, você pensa “não isso não está acontecendo comigo”.


Mas a parada era comigo mesmo. Uma voz veio de dentro da patrulha e logo depois um homem soltou a sentença: - Cachinho vem aqui, anda.
Enquanto meus amigos me olhavam com uma cara de desespero eu olhava catatônica para o policial que se recostava no carro e ficava a me observar com uma expressão de desaprovação.

Um segundo pedido me fez acordar e descer da montanha russa que tinha pegado dentro da minha cabeça: “Cachinho não vou chamar a segunda vez. Vem cá”. Era verdade...Eu não estava sonhando...Existia mesmo um policial fardado e uma patrulha parada me chamando.

Completamente sem graça, com um sorriso amarelo acenei de leve para o Sargento da PM. Engoli a saliva, levantei sem graça, olhei de forma panorâmica para os meus amigos querendo dizer “Calma”, ajeitei a blusa e devagar fui ao encontro do Sargento Pereira, outro cliente e amigo do meu pai. Ele cumpria o plantão na 18º delegacia de Policia, que fica justamente na Praça da Bandeira. Sua missão: era fazer rondas no inferninho da cidade a procura de menores para serem recolhidos bêbados e coibir o uso de drogas.

O PM almoçava quase todos os dias no bar do meu pai ou tomava uma gelada lá no final do expediente. Para minha sorte e azar tinha acompanhado meu crescimento, tendo inclusive, o número de telefone do meu pai. E, agora, estava ali questionando o que euzinha fazia “no maior antro de perdição da cidade”. Sim, era assim que o Garage e a Rua Ceará eram conhecidos - detalhe muito antes da Vila Mimosa ter se mudado para lá.

Com o dedo em riste ele perguntou: - Eu posso saber o que a senhorita esta fazendo aqui? Seu pai sabe que você esta aqui? Alias sua mãe sabe? Melhor não responde nada entra na patrulha que eu vou te levar pra casa A-G-O-R-A!

As perguntas vinham em cascata e ele sequer me dava à chance de dizer um “mas”. Enquanto isso, todos no Garage, Heavy Dutty, Bar do Zeca, enfim, toda a nação “garageana” olhava sem saber o que fazer: se corria ou ficava para ver no que iria dar. Diversas meninas também menores invadiram o banheiro com medo de serem levadas. Os garotos tentaram disfarçar o óbvio, acompanhavam o desenrolar da situação jogando cigarros ao chão ou despachando nas meias.

E assim, aos 16 anos, fui recolhida do Garage, local proibido a menores por ser considerado local de vadios, bêbados e drogados, impróprio a adolescentes de bem, pois era “o antro de maus elementos mais mal visto da cidade”.

O pior de tudo é que, logo eu, nunca tinha consumido qualquer tipo de droga ilegal, bebia álcool esporadicamente (na verdade as 2:15 estava ainda na segunda caneca de vinho) e nem fumava. Sem ter qualquer vício eu estava agora, sendo recolhida pela policia. Um King Kong histórico daqueles de fazer você nunca mais pisar no local.

Acontece, que já quase dentro do carro criei coragem: - “Perai, Sargento você não deixou eu responder nada e já ta assim me tocando pra patrulha. Por acaso eu to matando ou roubando? Qual foi o meu crime? Senta num bar e conversar? Para o seu governo minha mãe sabe que estou aqui sim e, meu pai não tem nada a ver com isso, porque eu não moro com ele. Pode ligar lá pra casa e confirmar".

Pois bem, ele ligou...Mas da delegacia sentadinho na mesinha dele.

Porém, levou um puta esporro da minha mãe, que não admitiu a filha ser levada por uma patrulha no meio da noite como uma criminosa. Ela Mandou ele me levar de volta exatamente de onde tinha me 'retirado', porque segundo as ordens dela eu tinha livre conduto para chegar em casa somente a partir das S-E-I-S da manhã. Hehehe...
Bem...E, foi assim que fui recolhida e devolvida ao Garage por vadiagem com apenas 16 anos, em menos de quinze minutos!

O Sargento Pereira aprendeu que, às vezes, as aparências enganam. E eu...Matei o preconceito e “voltei a vadiar”! Terminei minha caneca de vinho, cheguei às 6h18 (como mamãe pediu) em casa com jornal, pão e mortadela. Afinal, isso é a regra básica de alguém que chega em horário de café da manhã.

P.S: Quanto a euzinha estar num antro de perdição, mamãe disse assim: “Sargento, o senhor acha mesmo que eu sendo proprietária de bar na Praça da Bandeira, não conheço o Zeca (outro proprietário de bar)? Sargentooooo, ela está no antro de perdição mais seguro da cidade”.

Ah, a arte das mães de vigiarem a gente sem nós sabermos de nada...! É um talento, não?


Entrada da Rua Ceará à noite Foto Ratos de Porão


Portão do inferninho extinto

A Bandinha....

Fonte: Anotações da minha agenda ano1995
Imagens: Cadu Costa e disponíveis na internet

Quinta-feira, Novembro 6

Visita revolicionária!!! parte 1

Resolvi dividi com os leitores deste humilde blog uma experiência que tive como estudante de jornalismo. Faço um curso chamado Jornalismo de Políticas Públicas e Sociais na Universidade Federal do Rio de Janeiro, a UFRJ.

Neste curso, temos palestras com várias pessoas que expõem em âmbitos diferentes o que é, como, por que e quando é possível realizar políticas públicas sociais, principalmente quanto profissionais de jornalismo.

Dentre estas atividades, tivemos um encontro com o filósofo Deodato Riviera, que ajudou na construção do Estatuto da Criança e Adolescente, o ECA, que mudou muito o enquadramento das matérias realizada pela impressa sobre crianças e adolescentes. As opiniões são diversas, adversas sejam convergentes ou divergentes sobre este tema.

Mas a realidade é que sim, a imprensa tem o dever social e ético de ter cuidado ao abordar assuntos que envolvam pessoas nesta faixa de idade, pois há uma exposição que pode por em risco vidas ou ainda, constrangê-las a um ponto que o jornalista seja responsável por alterar a psique destas crianças e jovens.

Deodato coloca para a platéia que o Brasil precisa de uma Revolição. O trocadilho é feito porque o filosofo defende que o enfrentamento - aliais, ele não gosta desta palavra - deve ser efetuado pela educação e pela solidariedade humana e que somente com um aprendizado coletivo, é possível alterar a realidade pressuposta. Abaixo destaquei um dos trechos do texto

"Mais do que um sonho e menos do que uma profecia, essa Revolição possível que vislumbro se efetivada, significará a tomada de um poder novo, de baixo para cima: o poder inspirador e co-inspirador, o poder fiscalizador dos cidadãos comuns, o poder-serviço, baseado na força transformadora da presença ativa dos cidadãos sem poder formal no cenário político, no interregno entre as eleições. Esse poder novo, horizontal e policêntrico, restaurador da construtividade política e social, sem ódio nem violência, será exercido, criativa e permanentemente, por amplas camadas da nossa cidadania, constituídas principalmente por jovens, com sua capacidade de entusiasmo e dedicação -- sua paixão --, por idosos, com sua experiência de vida -- sua lucidez -- e seu tempo disponível, a ser aproveitado a serviço da Nação, e por mulheres, com sua intuição e seu compromisso com o cuidado e a proteção da vida -- sua amoratividade. Portanto, paixão lúcida e amorativa, e ação criativa, justa e restaurativa da construtividade política e social seriam os instrumentos anímicos fundamentais dessa possível Revolição Brasileira. Quem viver verá".

retirado do texto (*) - Revolição + revolução das vontades

Bom, inspirados por esta experiência, o filosofo agendou uma visita de toda a turma a sua casa em Itaipava. A experiência foi rica e uniu mais a turma, mas principalmente foi trocado experiências de vida e não teorias filósofos que muitas vezes apenas divagam sobre um assunto tratado de forma distante.

Assim, uma pessoa da turma montou um vídeo sobre esta visita, que eu trago aqui aos leitores. EM geral, não sou de colocar experiências tão particulares no blog, mas acho que desta vez vale a pena, porque seja pelo trecho do texto ou pelo vídeo, algo pode ser agregado de fato a todos que quiserem conhecer o conteúdo deste post.

Assista ao vídeo. Tem duas partes (na verdade três, mas ainda a parte final está sendo editada).

Um visita revolicionária II e III





PARTE 3 - VOCÊ SABE LIDAR COM AS DIFERENÇAS?

Domingo, Outubro 12

Papinho de homem

Sabe aquele papinho de homem? Aquele que eles sempre contam em alto e bom som numa mesa de bar, depois de alguns copos como se fosse uma revelação fantástica? Sabe esse?
“Fui sim, mas não comi!”. Pois é, me enchi dele.

Pode fazer o teste. Absolutamente em 99% dos casos quando você pergunta a um homem se ele já freqüentou um prostíbulo, a reposta é sempre a mesma: - Fui só pra beber uma cerveja! Será que eles não percebem, que esta historinha para boi dormir é mais velha e pedante do que o conto de fadas da Cinderela.
Não sei exatamente o por quê, mas há uma hipocrisia masculina absurda quando o assunto é puta. É isso mesmo. Estou falando de puta, prostituta, rapariga ou rameira para os nordestinos, mulher de vida fácil para os "desinformados", as ditas perdidas para os "moralistas", profissionais do sexo para os "direitas e ongueiros", garotas de programa para os ricaços e piranha em bom "português" de bar.

Para quem não está entendendo ainda o motivo deste bate-papo, eu explico. Durante a minha vida inteira (incluindo infância como no post anterior) passei ouvindo amigos comentarem sobre prostitutas. Na adolescência, então, era no mínimo, uma vez por semana, principalmente quando o mais famoso e antigo prostíbulo da cidade mudou de endereço e, foi parar, na rua mais freqüentada pela minha turma, a Rua Ceará, palco do extinto Garage, point de 7 entre 10 adolescentes que gostam de rock até hoje.

A verdade é que, em qualquer lugar, até mesmo nos finais de festas quando ocorre o enfadonho jogo da verdade - que acho um saco - sozinhos ou acompanhados, os homens sempre tem a mesma resposta na ponta da língua quando o assunto é Vila Mimosa: Já fui, mas não comi.
E do mesmo jeito que homens se perguntam o que nós mulheres fazemos quando vamos juntas ao banheiro, acreditem ou não, as garotas se perguntam o que os garotos fazem na porra de um prostíbulo se não querem comer puta, ora bolas. Então, resolvi indagar meus amigos que me cantaram o mesmo hit “Fui, mas não comi”, e depois falaram: Mas pra que tu quer saber?

Este assunto vaga pela cabeça de qualquer mulher que não passe a vida inteira somente em companhias de outras mulheres. E se você cara leitora nunca pensou sobre isso, é sinal de duas coisas: primeiro você precisa sair mais em companhia de homens e, segundo, eu sinto muito, mas suas amigas fazem parte do time de mulheres fingidas, iguais aos mesmos homens, que afirmam nunca terem transado com prostitutas.
Enfim, minha odisséia para desvendar o “segredo masculino” acabou quando um dia o telefone de casa tocou. Era um amigo que há muito tempo não via e nem conversava. Papo vai, papo vem, ele, soltou que sua última noitada tinha sido no Bar do Zeca, na Rua Ceará. Comecei a rir e ele claro, me perguntou qual o motivo da minha risada, até então, contida.
Menti. Disse que não era nada, mas toda hora ele percebia na minha voz um tom sarcástico e perguntava: Que foi? Depois de muitos nadas acompanhados de um risinho cínico, enfim, disse a verdade:

-Ah, qual é? Você quer que eu acredite que você só vai à Vila Mimosa porque é engraçado? Que nunquinha trepou com uma puta lá? Ah pára!

-Ué, o que tem de mais nisso? Não vejo o problema de eu e meus amigos só tomarmos cerveja? Bar é bar não é? Ele muda só porque fica na Vila Mimosa?

-Hmmmm. Na verdade, sim! Ele muda sim, porque num bar habitual, o cardápio não traz como opção Palomas, Verônicas, Paulas, Andréias, Tifanis etc., ao gosto do freguês.

-Ai, não é assim não.
-Ah não, e como é?
-Ai! Tá bom vai. Eu já comi puta sim na Vila Mimosa!

Pronto. Tinha conseguido o meu passaporte para o mundinho masculino. A partir daí, acreditem é possível arrancar praticamente tudo. Desde quando o cara começou a transar com prostitutas ao código de conduta de como agir quando se chega num prostíbulo, passando ainda, pelo antes durante e depois.
Assim, fui introduzida ao "banheiro masculino", vamos dizer assim...O bate-papo telefônico me forneceu ferramentas, ou seja, o conhecimento necessário para que outros homens também me dessem o seu livre acesso - nada como ter conhecimento de causa para se conseguir instigar um homem -, uma vez que, automaticamente, ao perceber que você possui controle do assunto proposto, ele fica intimidado e desconfortável naquela situação, a ponto de começar a solta qualquer coisa. Até, porque, seria um absurdo você, uma mulher, conhecer mais sobre puteiros do que ele, não é?

Passei a me sentir com o “pau na mão” fazendo xixi num mictório. Sim, porque homem que é homem usa mictório, além de mijar e não urina, como ensina o provérbio de todo macho que se preze associado ao “Clube dos Canalhas”.

Deste modo, em várias rodas de bar sempre que sentia o terreno firme sobre os meus pés, soltava verde para colher maduro. E, de gole em gole, com uma provocadinha aqui e um sorriso contido dizendo nada ali, mas querendo insinuar muito, diversos homens me contaram sobre suas experiências com prostitutas seja em termas ou na Vila Mimosa.

A desculpinha de que "só fui para beber com amigos porque é divertido" ou ainda clássica "para uma despedida de solteiro” – que muitos ainda mandam -, caiu por terra, melhor nos meus ouvidos.

Fonte: imagens google e foto chopp Subrinha

Papinho de Homem e a Saga dos Cinco Segredos

Há muitos mitos que caíram e outros que foram esclarecidos, mas a verdade é que não respeitei o desenho de aviso, abri a porta suspeitamente errada e entrei no banheiro masculino. Porém, sem dar chute na porta porque sou uma moça educada. Sem arroubos, pedi licença e percorri a alma dos homens.

De antemão, posso dizer que o banheiro masculino esconde situações de inseguranças, excitação, constrangimento, aventura e perguntas. Sim, os homens possuem muitas perguntas sobre si mesmo e mais ainda sobre as mulheres.

Na fina linha que separa instintos e valores, os homens procuram se encontrar a qualquer custa exatamente como uma mulher, mostrando a faceta do ser, que é humano e frágil a circunstâncias, a julgamentos e muita incerteza. Os homens são seres humanos, afinal.

Contudo, informo, mais do que descobri códigos, o que ouvi foi relatos de homens que em seu íntimo pagam mulheres para que elas os deixem serem garotos, conscientes ou inconscientemente, e, a sensação que fica para esta mulher de 28 anos que vós escreves, é a sensação de que os homens são gente como a gente. Também construí uma teoria, que se chama teoria da genitália.

Sigam pensamento lógico. São as fêmeas que foram concebidas com suas partes íntimas para dentro, escondidas de todos e ocultas delas mesmas. Porém, são os homens que apesar de terem a genitália para fora, ou seja, de forma exposta a olho nu, que se escondem num labirinto de emoções, que pensam precisarem viver tolhidos não pela perversa sociedade, mas deles e de nós mulheres.
Afinal, você sempre procura um homem para ser o quê? Não minta. Não agora. Nós (mulheres) queremos super-heróis e, nisto, pecamos da mesma forma ou de uma maneira tão cruel quanto eles, que sonham com a eterna gostosa.

Assim, na parte dois de 'Papinho de homem', trago os cinco segredos do digamos Banheiro masculino, mas já adianto: não tem nada mais óbvio.

Primeiro, é possível sim, um homem freqüentar lugares onde há prostituição e não necessariamente se utilizar o serviço. Entretanto, dizer que isso acontece com freqüência é no mínimo demagogia. Como me relatou um dos rapazes, ninguém vai entrar numa terma sem querer ter uma noite de sexo. Até porque termas é um serviço caro.

Os preços variam, mas o custo mínimo é em torno de R$80 para meia hora e R$100 a R$120 para uma hora, mais a consumação mínima da casa, que varia em torno de R$10 a 30. Então, mesmo que o cara não feche um programa com nenhuma mulher da casa, ele terá que coçar o bolso, pois não tem essa de entrar e não consumir nada.

O mais comum é o cara entrar e não se interessar por ninguém. Isso pode acontecer e é supernormal. Não esqueçam que uma terma é igual a uma boate, a diferença é que para sair com uma mulher ele vai pagar pelo “serviço”. Na Vila Mimosa, o esquema não é muito diferente. No começo, tudo é novidade e engraçado.


Existem sim "figuras" por lá, uma vez que a Mimosa aglutina um mix de gente muito diferente e o impacto com o fato de você ver de "tudo" como os meninos mesmo disseram “é forte”. Afinal, há mulheres que aparentam ter 16 a 60 anos e há caras que comem tanto uma quanto a outra.

Segundo, os homens mentem, ou melhor, alteram a realidade digamos assim, mandando o papinho masculino em ação de defesa. De fato, se faz necessário se esquivar da verdadeira mulher que está por detrás da curiosidade feminina: a mulher hipócrita. Não entenderam?

Vamos lá, os homens não confessam saírem com prostituas porque estamos no século vinte um, reproduzindo o comportamento das mulheres do século dezenove. Somos mulheres de coração aberto, mas de alma mediana que não cresce devido ao tolhimento de nossas mentes xucras. E, antes que alguma companheira do sexo me assassine mentalmente, eu provo:

Em geral, garotas ficam olhando torto para o cara que confessa já ter trepado com puta - no mundinho hipócrita feminino a realidade é que as mulheres querem saber, mas tem um puto preconceito com esta verdade, a ponto de discriminar o homem que confessa o “enfadonho crime”. O engraçado é que muitas não percebem que se oferecem como prostitutas e de “graça”, e ainda, não assumem que gostam tanto de sexo como homens, e isso é uma puta mentira. Eu pelo menos gosto e faço muito. E, posso garantir que não sou exceção.

Isso nos leva ao terceiro ponto da ferida. Somos indiscretas. Pelo menos a metade das mulheres, tem cara de pau de fazer a pergunta inconveniente:
- E aí, conseguiu gozar em 15minutos? Pior, o fará tirando um sarro do cara e vai ainda lembrá-lo da situação constrangedora e “baixa” que é, hoje, pagar alguém para ficar com você - e só este motivo já seria suficiente para justificar o silêncio.

Porém, a mais latente das razões é que mesmo para o homem, causa incomodo confessar para si – ouvir de si, o que seria a quarta razão - que precisa pagar alguém para ter sexo, principalmente devido ao mercado livre do sexo grátis existente em nossa atual sociedade.

Acontece, que o comércio é gratuito em moeda corrente, mas caro no campo da psique humana. Pois, o sexo é artigo de especulação como a bolsa de valores dentro das leis das relações humanas. Assim, por medo de rejeição ou vários ocasiões, o homem não se inicia a vida sexual com prostituas, mas persiste em buscar refugio nelas.

Enfim, com gosto de vinho na boca – como agora que escrevo - e um cigarro na mão, eu percebi o quanto o comportamento da mulher dita moderna é previsível...

Mas vamos ao X da trepada de fato...